domingo, 19 de janeiro de 2020

CERRADO


À sombra do pequizeiro
Delirei a vida a sonhar
No uivo do guará faceiro
Chora o meu recordar

Nos galhos tortuosos
Brotam as saudades
De cheiros maravilhosos
De infância, alacridades

Tem gosto de gabiroba
Aridez do sol a rachar
Vigor doce de mangaba
Buritis a nos sombrear

Constrói o João de barro
Nostalgias em todo lugar
O vaga-lume tão bizarro
Ilumina o meu poetar

O horizonte é sem fim
Onde põe a lua a repousar
Lobeiras talham o jardim
Das savanas a enfeitar

A arapuá em sua cabaça
Ornam o beiral do passado
Ipês em flor pura graça
Desenham o meu cerrado...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
22/03/2011, 17’07” - Rio de Janeiro, RJ

copyright © Todos os direitos reservados.
Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este é um diário de poesia muito pessoal e desprovido de qualquer pretensão. Tendo como objetivo somente postar e divulgar as poesias de Luciano Spagnol. Espero que goste! Sinta-se à vontade para navegar. Antes de sair, deixe o seu comentário. É importante e apreciado.

Obrigado.
Volte sempre!