E nesta imensidão de negrura sem fim
Os assombros me aterram no extremo
Donde cheguei e, pra onde irei assim?
Os sonhos se tornaram nau sem remo
O olhar se prostrou no horizonte carmim
Joelhos e mãos postas, de um blasfemo
No caos, o favorável estoirou em festim
Na sorte, o suspiro se fez de supremo
Choro, lágrimas e desespero em mim
É embarcação medonha, e eu tremo!
Oh! Náufrago, de alma sem lanternim
Miserando por um único ato sopremo
Rogo aos anjos, ter-me ao som de clarim...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
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