sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

O vento e eu

No cerrado o vento me dá medo
Uiva entre as folhas ressequidas
Numa melancolia de vazio enredo
Trazendo nos braços desmedidas
Canções, de solidão e de degredo

Em tal desconforto invento poetar
Num vagido que me faz um aedo
Pra acalmar o medo neste cantar
E nesta canção surge o alvoredo
Que invade as lembranças do mar

Então fico vagando na imaginação
E o vento empoeirado roubando vai
A vida que era só em consignação
Agora compõe saudades e não sai
De um extraviado neste árido chão

Então, o vento e eu, suspiros atrai...
Aqui no sertão!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
16/04/2016, 05'30" - Cerrado goiano

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Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol

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