sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

PLURAL (soneto)


Quando o tempo nos é percebido
Distantes estão os anos ditosos
Conosco à frente dias penosos
E vai ficando o devaneio diluído

As horas sem segundos, gulosos
são os desejos, tudo é divertido
Eis que num ás, se é envelhecido
E os enganos tornam-se facciosos

Então, tudo nos passa a ter sentido
Até mesmo os lamentos, saudosos
O que era ufano, vira comprometido

E vemos que nos plurais saborosos
Tem também o curso transcorrido
Num rugido de passos vertiginosos.
(E lá trás o tempo de rapaz esquecido).

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
2016, junho - cerrado goiano

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Se copiar citar a autoria – © Luciano Spagnol - poeta do cerrado

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