segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

REMORSO (soneto II)


Às vezes o remorso me traz espera
Nas angústias do coração nefando
Rumino, peno, é agosto, até quando?
Se logo ali o desfolhar da primavera

Amores nos versos vi multiplicando
Sem que o gozo no prazer quisera
Sem que a poesia saísse poetando
Ah! Mil vezes! Mil afago apetecera

Sinto que já a muito jaz a juventude
No reflexo transfigurado de velhice
Mártir da ingenuidade ou da virtude

Os zelos que não tomei por tolice
Por desconfiar os fiz na alma rude
Me raiva os beijos que não disse.

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
2018, 05'05", 2018 - cerrado goiano
Olavobilaquiando

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Se copiar citar a autoria – © Luciano Spagnol - poeta do cerrado

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