sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Tercetos

Madrugada, o galo canta, alvorada
O cerrado desperta na sua agonia
O sol amanhece na infinita quebrada

E eu aqui, cochilando melancolia
A escuridão entalhando forma
E a vida destrancando a portaria

O vento inicia sua musical norma
Sem esperar que desperte a aurora
E incógnitas vozes no silêncio enforma

É noite ainda, e breu há lá por fora
O café já está preparando a pitança
O ócio sonolento não quer ir embora

Como se exilar deste leito de criança
Que dá colo, aconchego, mansidão
Faz poetar, da saudade e lembrança

Madrugada, o galo canta, desperta coração!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
15/04/2016, 05'05" - Cerrado goiano

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Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol

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