sábado, 10 de outubro de 2020

RESETAR

Na minha paixão otimista e inocente

eu nunca soube pra onde foi... um dia

a sorte que me preferiu tão prudente

ao sonho perguntei, e ninguém sabia

 

E numa fúria, manou-se, de repente

duma quimera expansiva e correntia

para uma áspera ilusão sem cortesia

e a vida suspirou lerda e descontente

 

E o andejar se foi... e vai distante

mas o silêncio, um outro instante

chora, mas vai em frente, teimoso

 

E eu sinto, a emoção, sem tê-la

De um algo especial e desejoso

É. E nunca é tarde para havê-la!

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

10/10/2020, 10’10” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, canal de YouTube:

https://youtu.be/ZZiHCxMPBQE


sexta-feira, 9 de outubro de 2020

DESEJO (amor)

Eu quis paixão, pelo amar pleno

sem ambição dum fatal amado

onde apenas valeria ser ameno

ou talvez aquele algo desejado

 

Quis me doar, sem ser pequeno

e desse amor não fosse deserdado

mas, senti na alma o acre veneno

do amor na futilidade ser banhado

 

E vejo que o amado é, na vida

aparte, ao que é o escolhido...

a este, tem, uma boa acolhida!

 

É. Se castigo ou sina, eu digo:

- que nunca quis ter perdido

Se perdi, é por não ter comigo!

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

09/10/2020, 19’28” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, Canal no YouTube:

https://youtu.be/UuaWSlgYCos

SAUDADE

Saudade – de pela areia fina andando

e a cidade no seu cheiro e no seu cio

Saudade! Dos bares e botecos do Rio

e do samba no pandeiro batucando

 

Noites de fevereiro, é roda no pavio

o carnaval, sol, e praia no comando

É a vida no agito, calor esquentando

conversa sem hora, e o céu de estio

 

Saudade – voo cego do sentimento

Sem pouso, com gemidos ao vento

Ai! maravilha entre o mar e a serra

 

Saudade – Laranjeiras do bardo

Coelho Netto, onde aqui guardo

parte de mim, ah! carioca terra! ...

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

07 de outubro, 2020 – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, canal de YouTube:

https://youtu.be/rYR1EKr61JI

POETA FUI

Poeta fui e do causar ferino

Me acariciou a carícia dura

Versei mais dor que ventura

Andei sonhador e peregrino

 

No devaneio, vivi o desatino

Amando o que pouco dura

Gozando da decepção dura

Poeta sem charme no destino

 

Porém, a cada verso, tentei

Ter o acaso e a doce poesia

Não agonia que não sonhei

 

Entendo, que versar alegria

Tem de tê-la. Pouco cantei

Se cantei foi porque sofria

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

09/10/2020, 08’06” – Triângulo Mineiro

paráfrase José de Abreu Albano

 

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https://youtu.be/cj45vw-qwpk

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

A UMA DESPEDIDA

Agora, que o final me convida

A solidão parte do pensamento

Cada suspiro outro sofrimento

Nas recordações sem medida

 

E, de pareio com a despedida

Foi-se o bom contentamento

Dentro do leito o tormento

Enfim, dá dó essa dor doída

 

Pra que era tê-la evocando

As lembranças, do outrora

Se agora, me falta o crer...

 

Querer, já quiz, até quando

Pude ser, e nesta outra hora

Quero amor no bem querer!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

Outubro de 2020 – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, Canal no YouTube:

https://youtu.be/x-mWNoVCu4Y


quarta-feira, 7 de outubro de 2020

NATAL EM SONETO


Um menino, e aquela noite festiva
Noite cristã, natalício do Nazareno
Celebrando os dias do Filho, terreno
Mesa posta, a família, ternura viva

E nesse singelo canto doce e ameno
Minha consagração contemplativa
Pura, reza a confiança na fé ativa
Aos pés do presépio, o amor pleno

Presente em soneto, e em gratidão
Louvores dou, Paz e Bem ao irmão
Noite de confraternização, de luz!

E, ainda que se perca, se inquieto
O coração. O crer sustenta o afeto
Feliz Natal! União em Cristo Jesus!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
07/10/2020, 05’55” – Triângulo Mineiro

Protegido por Lei de Direitos Autorais (9.610/98)
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YouTube:
https://youtu.be/YH35IBioxYE

SOY LA POESÍA


SOY LA POESÍA

 

Si la sensación de que soy la poesía

Versos dulces de trazo el corazón

En cada inversa tiene una emoción

Y en el amor sin palabras cobardía

 

El miedo ya se ha hecho a esconder la pasión

En los votos eterna, la hipocresía

Versei amor rimado con el dolor

Y me imaginaba estrofas con la seducción

 

Las palabras, versos, rimas y la eufonía

La voz del poeta en su inspiración

¿Qué hacer en su'alma asociación

 

Sentir lo que escribe, escribe versión

Mente sin mentira, vivir la fantasía

El poeta y la poesía es pura fascinación

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

versão em Espanhol por José Santiago

terça-feira, 6 de outubro de 2020

CERRADO DO GOIÁS II

Quando, a primeira vez, lhe vi a vastidão

uma confusão fiz de sua sinuosa mesmice

e quedei-me ao parecer de quem visse

e sentisse, o desigual em plena evolução

 

Depois, no andejar, ao olhá-lo, disse:

é graça, é sertão na minucia e razão

do encanto, magia, mistério e criação

este chão, tão menino, na sua velhice

 

Os tortos galhos e secos barrancos

riscam planícies e maçudo abrigo

e o céu nos seus rubentes e brancos

 

E, ao aprecia-lo, agora, então digo:

vendo-lhe, diverso, e seus trancos

hoje o sinto poetificando comigo!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

06/10/2020, 20’49” – Triângulo Mineiro

 

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https://youtu.be/vZwbz74a2rU

RÚSTICA HORA

A paixão sentida no revés sentimento

arremessa na alma desditosa e solitária

a infelicidade, sensação desnecessária

além, do amar, este, a mim sem alento

 

O pranto, a correr, e a sorte ao relento

vem do acaso, da solidão, do itinerário

que parece trazer consigo um rosário

sem rumo, que na ventura vai ao vento

 

Tenta, e tenta, lamenta. Olha em torno

sedento. E o silêncio suspirando lá fora

à meia penumbra, num choro morno...

 

Do reclamo, o luar alvacento da aurora

com seu reflexo pálido de um adorno

sofrente, murmura essa rústica hora!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

06 outubro de 2020 – Triângulo Mineiro

 

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https://youtu.be/IUXp-g9MiFE

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

SONETO SEM VOLTA

Vai-se mais um talvez pra outra parada

Vai-se um, outro, enfim decaídas cenas

Que dói no peito, na solidão, e apenas

A teimosia para essa pesada derrocada

 

Cá na quimera, quando a dura nortada

Bafeja, os devaneios em alças plenas

Ruflam a alma em emoções pequenas

No ocaso do horizonte atiçando cilada

 

Também dos silêncios onde abotoam

Os suspiros, um a um, não perdoam

E choram, lágrimas pelos olhos vais

 

Na perfídia imatura, ilusões escoltam

Os sonhos, que sempre ao amor voltam

Mas que ao poético não voltam mais...

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

Outubro de 2020, 20’20’ – Triângulo Mineiro

 

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https://youtu.be/JvbQkjDNObU

domingo, 4 de outubro de 2020

SONETO DESBOTADO

De tiranas nostalgias, sobrevivido

o fado, vou suspirando, e vazado

vou passando ao ocaso passado

dos dias onde o jeito é nascido

 

O agrado em rasgas dividido

corre da satisfação apressado

pro vazio, palpita compassado

na solidão, em pesar convertido

 

E, murmurando tão cruelmente

o trovar alvorece no desalento

e um aperto no peito então sente

 

Oh! má sorte, no amor sedento

Que vive a lastimar no poente

desbotando está o sentimento!

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

04/10/2020 – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, Canal no YouTube:

https://youtu.be/27uHFqEO7pE

sábado, 3 de outubro de 2020

LEVA

Cevando se me vai de traço em traço

O fado, que a mor emoção vai sendo

O sentimento em ensaio despendo

Té que a sorte me dê bem remanso

 

Amando, quando posso, eu romanço

Sempre na busca, assim, pretendo

Tê-lo, enfim, um fomento tremendo

Onde os abraços tenham descanso

 

Vendo-me, pois, portanto, carente

Metido nas agruras desses enleios

Eremítico.... me entrego à ventura

 

Ah! quando a dita me faz contente

De novo o coração em bons meios

Se dispõe: .... com leva de ternura!

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

03/10/2020, 21’57” – Triângulo Mineiro

 

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https://youtu.be/Gom53oyyMzs

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

DISCORDE


Eu quitado estava e nada mais queria
O anseio ansiado a mim face a face
E como um outro alguém te amasse
Te amei, duradouro: - que bom seria!

Tinha cheiro, vontade, me parecia
Que nesse amor o querer, guiasse
E que só a força da paixão falasse
Se teve aperto, também teve alegria

Mas, temporão desmantelou o sonho
A ofuscante graça, era mais um engano
Se um dia compus, não mais componho

Vejo, enfim, que em um afeto profano
Se o dístico ao ardor não for inconho
Discorde é o desencontrado quotidiano.

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
02, outubro de 2020 – Triângulo Mineiro

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https://youtu.be/s4ZTnWceD0U

 


quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Murmúrio

Dá-me um pouco das sombras pequenas

Dos ipês, no cerrado melancólico e ressecado

Um suspiro de alívio, apenas,

- vê que nem peço omitir cada pecado

 

Afla-me a brisa leve da imaginação

Serena, que encanta e canta a poesia

Entre os tortos galhos do sertão

- vê que nem peço quantia.

 

Traze-me um pouco do teu cheiro

Pode ser daquela dada primeira flor

- vê que nem peço, o beijo primeiro

- vê que se devaneio, é por ti, amor!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

2020, 29 de setembro – Triângulo Mineiro

Paráfrase Cecília Meireles

 

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https://youtu.be/g_KK4D0ZJjM

terça-feira, 29 de setembro de 2020

DOR DO MOMENTO (soneto)


Há solidão sem fundo, há sofrer tiranos
Mais sufocantes que a cruel desventura
Sentimentos loucos, cheios de amargura
E as saudades mais extensas que os anos

São tormentos sem piedade, são danos
E as sensações na alma vazia de ternura
Eu as renuo... e a está árdua sorte dura
Que augura na poesia versos profanos

Devaneio, sim, e só assim, somente
Saio do algoz versejar tão cruento
Que me fere no tratear lentamente

Oh! gemidos assim jogados ao vento
Que chora e dói na emoção da gente
Leva pra longe todo este sofrimento.

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29/09/2020, 10’07” – Triângulo Mineiro

Protegido por Lei de Direitos Autorais (9.610/98) 
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https://youtu.be/tkEJqMlotQg

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

AVERSO

Quem poeta pelo suspiro sofrido

Em lágrima dum trágico flagelo

É quem se deixou estar perdido

Esquecido dum versar mais belo

 

É quem do emotivo foi redimido

Expurgado do verso mais singelo

Na emoção se encontra indefinido

Na inspiração tristura em paralelo

 

É quem se norteia com a navalha

Da dor, em trova ensanguentada

Amortalhado em rítmica mortalha

 

É quem no choro faz de morada

No coração o amor sofre e talha

Mas, a paixão, sempre sonhada!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

2020, 28 de setembro – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, no YouTube:

https://youtu.be/PxvtBC7saY0

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

AMBIÇÃO

Eu quis versejar, pelo prazer pleno

de ser bardo, sonhador, arrojado

duma prosa um entusiasta sereno

ter minha trova daqui do cerrado

 

Quis dar a imaginação um aceno

bálsamo ao sentimento apaixonado

ao riso, ao choro, um efeito ameno

disfarçando a emoção num brado

 

E vi que a sensação apenas é, na vida

o dado entre a tragédia e a comedia

- a chegada, o centro e a despedida...

 

E, piegas que sou, em um castigo

fujo aos sonhos, e de alma tédia

taciturno, me assisto só, comigo!

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

10/09/2020, 15’00” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, Canal no YouTube:

https://youtu.be/77FbbToKiWo

MÁS SORTES

Minha saudade é uma casa abandonada

por cujos solitários e vastos corredores

volteia o silêncio por toda madrugada

das lembranças e questões dos amores

 

Certa vez a essa estada mal ajambrada

varrendo o ar pesado e seus horrores

adentraste sorrateira quimera alada

num devaneio aos desejos pecadores

 

E, então, tão cruento e insistente

querer um afeto cheio de poesia

nessas incertezas, só perguntas!

 

Ah! o vazio no carma eternamente

na desilusão da paixão erma e fria

a verdade de más sortes conjuntas!

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

10/09/2020, 04’47” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, Canal no YouTube:

https://youtu.be/z6RD-qQIpz0

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

INFORTUNO


Falas de solidão, eu ouço tudo e calo
Ó saudade! Rude e regateira caipira
É. E é por isto que o vazio me imbuíra
A alma, no silêncio, infortuno vassalo

Viver! Quando virei por ter intervalo
Entre a dor e o sofrer que não espira
No tempo, e me põe nesta mentira
Da esperança dum amor para amá-lo

Pois é agridoce sentimento sagrado
Que leva a noite insone no cerrado
Messalina sensação, refutado fulcro

Falas de amor, e eu me desalento
Paixão na minha sorte é tormento
Intento para eu levar para o sepulcro.

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
09/09/2020, 13’43” – Triângulo Mineiro

Protegido por Lei de Direitos Autorais (9.610/98)
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YouTube:
https://youtu.be/0ECaZEN_LyY

SONETO DA SAUDADE (soneto I)


Saudade – o olhar do outrora andando
e o pranto, uma lágrima na lembrança
deslizando. Saudade! os dias de criança
cantigas de ninar e de roda: cantando!

Noites, até às 10 horas, na vizinhança
a meninada, na diversão, em bando
na chuvada, muito mais que amando
saudade ingênua de dias de pujança

Saudade – asa da dor no sentimento
Recordações vans do tempo ao vento
Ai! dantes no pensamento em guerra

Saudade – “o que fica do que não ficou”
a velha mocidade, que hoje já passou...
O apito da “Mogiana” da minha terra!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
09/09/2020, 10’07” – Triângulo Mineiro

Protegido por Lei de Direitos Autorais (9.610/98) 
Se copiar citar a autoria – © Luciano Spagnol – poeta do cerrado

Vídeo, Canal no YouTube:
https://youtu.be/A_75GjppF_A