terça-feira, 18 de agosto de 2020

ONDE O CERRADO MORA

Uma secura à beira de um barranco

No entorno: ipês, buritis, e o pequi

Por todo lado o agigantado céu rubi

No horizonte, um devaneio franco

 

O dia acorda na alva, num só tranco

Onde ouve o canto da brejeira juriti

E o passeio do solitário macho quati

Ali, alvoraçando a vida num arranco

 

 À tardinha, em romaria, o regresso

A melancolia deitada na rede, espera

O entardecer mais bonito, confesso!

 

Se crês na quimera, ela existe, porém:

É no torto do cerrado de falsa tapera

Onde mora, que há encanto também!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

18/08/2020, 15’17” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, Canal no YouTube:

https://youtu.be/zhEpuH6X2v4

 


A QUARESMEIRA

Pra Quaresmeira ser louvada, não basta

No cerrado, trovar os dotes do encanto

Tem de ter na poesia, o instinto tanto

Da magia e sensação que o belo arrasta

 

De um esplendor e uma tal delicadeza

Nesse sertão de diversidade tão vasta

Seu destaque de flor preciosa e casta

Do lilás dos cachos, adorno da natureza

 

Exaltação aos olhos, de florada ligeira

Chama da paixão, graça, poesia acesa

A essência sedutora da quaresmeira

 

Na admiração, um trescalar misto:

De funesto fase, reflexão e beleza

Em cortejo do martírio de Cristo!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

18/08/2020, 09’43” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, Canal no YouTube:

https://youtu.be/7yPC2AZU5dw

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

ADVERSO DUM VERSO

Essa sensação de face cansada

Que vês no meu poetar azedo

De trova tremente e mirrada

É falta que lamenta no enredo

 

O versejar pouco camarada

Da satisfação já em degredo

De rima velha e desgraçada

Em que não se profere ledo

 

Ontem, de viço e alegria

Hoje, o choro e sofrência

Um fado. Na vã poesia

 

Nesta dura sina em riste

Do canto em decadência

Verseja um poeta triste!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

17/08/2020, 16’45” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, Canal do YouTube:

https://youtu.be/Kkdyfcbjv3w

SONETO (amor)


Se eu fosse o amor, a eternidade eu seria
Um daqueles tempos de romance de outrora
Aos desencontros eu nunca chegaria
E dos minutos eu faria mais que a hora

O melhor da paixão está na quimera
Do olhar que é desviado e que olhou
Dos beijos dados (ah, quem me dera!)
Eu seria o amor infinito, que não passou

Eu seria esse amor literário
Cheio de novela, nunca solitário
Que todos espera sempre no coração

Numa esperança sempre desejada
Que, no querer é promessa renovada
Com pitada de cumplicidade e ilusão

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17/08/2020, 12’12” – Araguari, MG
*paráfrase autor desconhecido

Protegido por Lei de Direitos Autorais (9.610/98
Se copiar citar a autoria – © Luciano Spagnol – poeta do cerrado

YouTube:
https://youtu.be/17tnoKMwzTM

domingo, 16 de agosto de 2020

A SERIEMA

Falam que a seriema, quando desata

O seu canto, no cerrado ali tranquilo

A viola do roceiro, chora, a segui-lo

Roncando esmorecimento pela mata

 

O retinir, longo, tal um sino de prata

Quando soa, longe, se pode ouvi-lo

Num tal solfejo, em aguda sonata

De um aristocrático canoro estilo

 

Quando a cantata, ressoa amolada

No coração do sertão, bem fundo

A saudade dói, e no peito faz morada

 

E o que mais neste canto se espanta

É que o canto de apenas um segundo

Na alma do sertanejo se agiganta...

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

2020/agosto, Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, Canal no YouTube:

https://youtu.be/lM61RaqDRAk

sábado, 15 de agosto de 2020

O CONDENADO (soneto)

O sentimento está triste. Tão calado

O pensamento solitário, num canto

Com agonia, ali, assim, compassado

E os olhos lacrimejando entretanto...

 

E no sofrimento de um crucificado

Pulsa na dor e chora árduo espanto

Se sentindo, um tal tão desgraçado

No drama e paixão, sem encanto...

 

Do algoz, cruento, e seco cerrado

O silêncio lasca o peito com tensão

Que suspira em pranto, fulminado

 

Tal um réu, um desafortunado, então

Largado na ilusão, e se vendo de lado

Soluça saudades o condenado coração!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

15 de agosto de 2020 – Araguari, MG

 

Vídeo, Canal no YouTube:

https://youtu.be/o9GJrLFFBVQ


sexta-feira, 14 de agosto de 2020

O AMOR QUE É AMOR

O amor que é amor jamais vacila

Nas paixões iradas entra sem medo

Leva consigo a afeição e o enredo

Do doce olhar, e o abraço que asila


O desejo é uma variedade tranquila

Pra quem cobiça, pois, vence o quedo

E dum para o outro não tem segredo

Enquanto o apuro o veneno destila 


Amor que é amor, a tudo transforma

Um ato de grandeza e de plataforma

Do bem, onde se tem a sorte ao dispor


Esse esplendor, regado com flores

São muito mais que simples amores

É a natureza do amor que é amor...


© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

14 de agosto de 2020 – Araguari, MG


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domingo, 9 de agosto de 2020

Pai, na saudade


Quando me dei conta da ausência
Na idade madura me encontrava
O senhor não era mais suficiência
Herói e vilão, já não mais estava
Outro o tempo, outra realidade
O passado, passou, ali te amava
Te amo! Hoje, na dura saudade!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
09/08/2020 - Cerrado goiano

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FELIZ DIA DOS PAIS!

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Ai da saudade

Quanta saudade  
Há nesta despedida
Dura realidade
A vida!

Ausentar é triste  
O suspirar insiste
E também o amor
Que consola a dor

O vazio agiganta   
A agrura tanta
Tanta saudade
Sua majestade
A saudade tanta

Agora na sua ausência  
Seu carinho na carência
Sua poesia, otimismo, alegria
Nos meus versos, seus!
O adeus. Foi-se a Deus!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
São Paulo, Guaianase, 07/08/2019
Dona Verconda Espadarote Bulus
poetisa entre montanhas e flores,
São José do Calçado perde sua poetisa.
Minha gratidão, minha saudade, meus sentimento

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

A ESCULTURA (soneto)


Idealizada, em traços no pó de mármor
Num luzidio de inspiração e de talento
Nas minúcias de fêmea em movimento
Fixas em forma rara, de delicado primor

Transpirando volúpia, vida e portento
Do pó de pedra forjada com tenro amor
Surge a forma e, prostrada em fomento
Abrigo imortal, num cendal esplendor

Do albor da imaginação, dos desejos
Surge assim esquia e férteis latejos
Ante a estátua feita, minha ovação

E o espanto avido do meu espreitar
Põe a beleza e delicadeza no olhar
Dela, a escultura amoldada a mão

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06/08/2020, 11’41”  – Triângulo Mineiro
Inspirada na escultura de Eliete Cunha Costa, acervo pessoal

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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

SONETO SEM SONO


Tarde da noite. Ao meu leito me abrigo
Meu Deus! E está insônia! Que conversa
Morde-me o pensamento, e tão perversa
Numa flameja que acorda, tal um castigo

Meia noite. E o silêncio também versa
Tento fechar o ferrolho, e não consigo
Da espertina. E assim impaciente sigo
Olho pro teto, numa quietude inversa

Esforços faço, remexo, me envieso
Disperso, nada! O sono se concreta
E o meu fastio já se encontra farto

Pego no devaneio, e o olhar ali reteso
Arregalado, e nesta apertura secreta
Fico ancorado neste túrbido quarto

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05/08/2020 – Triângulo Mineiro

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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

O AMOR (soneto)


O sentimento é uma formosa safira
Rútila, que o prazer do sentir enseja
Onde a emoção a companhia deseja
E no coração, aceso, flamejante pira

Tal harmônica lira, na poesia suspira
O abraço cativa, com o olhar se beija
E na amizade, ele, o afeto, assim seja!
É ardor com mimo que n’alma delira

É sempre magia e também é donário
Aquele singular poema no seu diário
Ternura e sedosa flor, enredado voo

Na companhia obrigatório alicerce
Onde no caule do bem ele floresce
Só quem tem, quem um dia amou!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
03/08/2020, 20’01” – Triângulo Mineiro

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domingo, 2 de agosto de 2020

A MORTE DAS VIOLETAS (soneto)


No vaso floreado de variada cor
De suave frescor e delicada trama
Cheias de viço e aveludada rama
Desabrocham as violetas em flor

Pouco estar, e de fugaz esplendor
No seu breve e infortunado drama
Enlanguescida, ela, curva e acama
Tal aos pés da sofrência a fatal dor

E vai perdendo o regalo a violeta
Aos amuos do tempo, ali funesto
Num despojo final, e última reta

E, desbotada e então tombada
Épica, em um derradeiro gesto
Mortal, a violeta se vê imolada

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
02 de agosto, 2016 – Triângulo Mineiro

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sábado, 1 de agosto de 2020

MAL SECRETO (soneto)


Se o vazio que sente, na saudade que mora
No peito, e sufoca cada gesto recordado
Cada olhar do passado, que a dor devora
Pouco será a imensidão do vasto cerrado

Pra que se possa ecoar tal tristura sonora
A sensação que chora, e a lágrima da face
Que escorre, e que chameja a toda hora
Na recordação, sem que haja desenlace

Se se pudesse, do ser a ventura recrear
Da alma só felicidade então aí dimanar
Tudo seria melhor neste amor inquieto

Mas, está cólera que espuma, e jorra
Da ausência, e a solidão que desforra
Nos cala, e estampa um mal secreto...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
2020, 01 de agosto – Triângulo Mineiro

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quinta-feira, 30 de julho de 2020

DESENCANTO (soneto)


Muitas vezes trovei os amores idos
Chorando o desalento e desventura
No engano, numa lira feroz e impura
De infelicidade, o vazio dos sentidos

E nesses instantes sofridos, convertidos
Cada lágrima escrita era de amargura
Com rimas sem resolução e tão escura
Soando a alma com cânticos gemidos

E se tentava acalmar com justificação
Mais saudoso ficava o árduo coração
Que se enganava querendo encanto

E, sussurrando, num afiado suspiro
Os versos que feriam, tal um tiro
O amor, eclodiam do desencanto

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
30/07/2020 – Triângulo Mineiro

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O ACENDEDOR DO DIA (soneto)


Lá vem o sol o acendedor do dia na rua
Este mesmo, rubro, que vem reluzente
Raiando no horizonte, turvando a lua
Quando o véu da noite se faz ausente

Parodiado a poesia, a prosa continua
Na energia, na quimera poeticamente
À medida que a luz aos poucos acentua
E a escureza da noite se vai de repente

Encantada evidência que Deus nos doa
Brilho que doira o dia e ilumina a vida
E que com tal esplendor nos abençoa

Assim, em nossa alma o amor insinua:
O bem, a fé, a felicidade a boa acolhida
Que na claridade com a gratidão tatua

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
30/07/2020, 07’22” – Triângulo Mineiro

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quarta-feira, 29 de julho de 2020

AOS PÉS DA CRUZ (soneto)


A Vós submisso vou, braços crucificados
Nesse calvário sacrossanto da paixão
Receba-me, na Tua elevada compaixão
E, por nos livrar do mal, estais cravados

A Vós, Pai, que pelos pecados fustigados
Piedade! ... poupe os ceticismos incertos
No Teu perdão, Teus zelos estais abertos
Perdoai nossas falhas, e rumos errados

A Vós, pés encravados, por nos amar
A Vós, chagas abertas, para nos ungir
A Vós, na dor, e Teu sangue a libertar

Por não nós deixar, nem de nós desistir
Por ser o filho escolhido, o meu olhar
Aos pés da cruz, aqui estou pra remir...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29/07/2020, 11’02” – Triangulo Mineiro
paráfrase Gregório de Matos Guerra

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terça-feira, 28 de julho de 2020

OUTONO EM POESIA (soneto)


Bailando no ar, gemia inquieta a folha caída
No azul do céu, do sertão, ao vento rodopia
Agitando, em uma certa alvoroçada melodia
Amarelada, vai-se ela, e pelo tempo abatida

Pudesse eu acalmar o seu fado, de partida
Que, dos galhos torcidos, assim desprendia
Num balé de fascínio, e de maga infantaria
Suspirosas, cumprindo a sua sina prometida

A vida em uso! Na rútila estação, obedecia
Um desbotado no horizonte, desenhado
E em romaria as folhas, em ritmo e magia

No chão embebido, o esgalho adormecido
Gótica sensação, de pesar e de melancolia
No cerrado, ocaso, do outono em poesia...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
28/07/2020, 10’22” – Triangulo Mineiro

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segunda-feira, 27 de julho de 2020

RUMO (soneto)


Cada amor é um perfume, uma flor, um jeito
Nem se conhecem, o que vale, e que importe
É a essência, ah, essa tem de ser bem forte
Sentimento e poesia de um cântico perfeito

O jungido de alma, ocupando o mesmo leito
Olhares e o pulsar do coração numa tal sorte
Que faça do pensamento um elegante porte
E dos beijos recato de orgulho e de respeito

E assim, o tempo no tempo, as duas vidas
No mais profundo vínculo e em comunhão
Ajustando as emoções nas boas acolhidas

E os dois seres, então, um do outro perto
De mãos dadas com a doce afável paixão
Onde o caminho de afinidades é coberto

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27/07/2020, 13’17” – Triângulo Mineiro

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CONTA E AMOR (soneto)


Amor roga terna conta do meu afeto
E eu, servil, ao amor dar-lhe-ei conta
Mas, sem a ponta, como dar-lhe fronta
De tanta conta, se no amor fui inquieto

Para dar desponta neste tal decreto
O amor me foi dado com boa monta
E eu, de incúria tonta, não fiz conta
Do tempo, que hoje me é incompleto

Ah! tu que tens o amor que desponta
No peito, me conta, para eu ter tempo
Se ainda tenho em conta, nessa conta

O tal que, na remonta, gorou o atempo
Quando lhe chegar à conta, na esponta
Do amor, chorará, como eu, sem tempo!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27/07/2020, 08’43” – Triângulo Mineiro
paráfrase Frei Antônio das Chagas

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