quinta-feira, 22 de outubro de 2020

PÔR DO DIA

Na hora silenciosa do sol poente

Na fleuma do cessar em melodia

Encenava a voz da prosa reluzente

Que no ocaso do cerrado ali jazia

 

No olhar, a divagação presente

Na sensação, a imaginação ardia

E a ilusão em um tom crescente

Rezava no horizonte uma litania

 

E o depois, sei lá do que o depois

Pois, fiquei comovido, e nós dois

Eu e a noite, admirados, bramia

 

E na incitação maior do agreste

Apenas sei que o que me deste

Evidente, foi um belo pôr do dia

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

21/10/2020, 09’29” – Araguari, MG

 

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https://youtu.be/QAkgkOoY0vY

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

A CRISTO NA CRUZ

Os olhos meus pregados nessa cruz

O vejo, nu, piedade deste que ti vê

Tolerar, tolereis, meu Deus, por quê?

Se ainda somos pecantes, ó Jesus!

 

Que, pois, fui um dos que não fiz jus

Ao amor Teu, e da piedade sem crê

O pus na cruz, neste feito do sofre

Cruelmente, fendendo a Vossa luz

 

Quisesse Vós por nós estar sofrido

E nós ó Pai, um indócil servo vosso

Na dor Vossa, muito por nós sofreu!

 

Que, pois, por nós estais revestido

No pesar, e pagar-vos não posso

Pois a morte Vós por nós venceu!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

21/10/2020 – Triângulo Mineiro

 

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https://youtu.be/pd1YyaRqDZw

O MAIOR REVÉS DO VIVER

Cá dentro da alma de crer ser poeta

Alma feita de paixão e de imaginação

Sedento de devaneio e de sensação

Quanta coisa, quanta ilusão secreta

 

Quão querer escrever em linha reta

E, nas rimas aquela rima sem demão

A certeza do canto certo na emoção

A agnição que desejou ser completa

 

Porque a dor aberta, o que mais dói

E também que a tendência destrói

Não é a saudade do outrora perdido

 

Pois se foi, se suporta, é inevitável

É bem mais vândalo o irreparável

Do podido viver e não ter vivido!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

21/10/2020, 09’27” – Triângulo Mineiro

 

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https://youtu.be/LnDqT8N6TKU


terça-feira, 20 de outubro de 2020

ANTES DO ÚLTIMO

Que estros fugitivos me deixou aqui

No silêncio... e a mim não mais veio

Ilhando a trova sem frescor e asseio

Que me falta, e que por ele me perdi

 

Em que seda de lacuna me envolvi

Se hoje parece um sonetar alheio

Com palavras sem zelo, sem freio

E, em qual da imaginação remordi

 

Achei que fosse meu o teu prazer

E que no versejar eu fosse te ter

Eternamente, e você... de saída!

 

Partiste, bem antes do último verso

E o soneto na imensidão submerso

E a emoção numa saudade perdida...

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

20/10/2020, 14’22” – Triângulo Mineiro

 

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https://youtu.be/ziEZOAUEsPM

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

O MEU PESAR

Tenho pesar da solidão numa vida

Da sensação que o carente sente

Dum amor que assim de repente

Sai do querer, e vai de partida...

 

Da ilusão que da alma é fugida

Do olhar ingrato frente a frente

Dos que ostentam toda a gente

E os que não aquietam a ferida

 

Tenho pesar do senso dividido

De não estar sorrindo à revelia

Contente de um dia ter nascido

 

Pesar de mim, de quem sofreu

De não ser mais e mais alegria

E, de ter posposto o meu eu!


© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

19/10/2020, 09’36” - Cerrado goiano

 

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https://youtu.be/t9JQKmiaLjs

domingo, 18 de outubro de 2020

ATANAZAR

Viste-me abatido um dia no caminho

em devaneios de que, nem eu o sei

ó aperto no peito, assim, eu lhe falei:

Cara poesia. Na jornada indo sozinho

 

Trovei, e rimei, foi por entre espinho

E em nenhuma postagem descansei

Em cada uma loa que por ela passei

Saudei! Umas até degustando vinho

 

E neste poetar pedregoso, solitário

Os pés deplorando em um calvário

Imolado. Eu num canto, no entanto

 

Ao chorar o prazer em um dejejum

Tu e eu poesia. Em drama comum

Versejamos com o mesmo pranto

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

18/10/2020, 14’13” – Triângulo Mineiro

 

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https://youtu.be/pJhohYlpE2M

RIMAR DUMA SAUDADE

Teve um tempo que mandava

Nas poesias que eu escrevia

Cada versar uma companhia

 E em cada linha festa bordava

 

Com emoção, assim, andava

Nas mãos a imaginação ia

E em toda a obra que fazia

A ventura, ao lado, ajudava

 

Pobre a poesia, sem aquarela

Sem fantasia, um dia tão bela

E hoje, pedinte de qualidade

 

E, no amor, sem substância

Sobre o vazio da distância...

Só o rimar duma saudade!

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

18/10/2020, 09’29” – Triângulo Mineiro

 

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https://youtu.be/VPsoAKnDXPU

sábado, 17 de outubro de 2020

PRA QUÊ?

Como quem fica defronte duma cilada

espantado, sufocado, aí fui deixando

os sonhos pela desmarcada estrada

donde vinha, deveras, caminhando

 

E a minha alma, de chorar molhada

então ficava, o peito ali suspirando

me vi, enfim, que chorei pra nada

e pra nada foi que chorei passando

 

Assim, corroí o poético sentimento

redigindo a sangue cada caro verso

e num sombrio poetar, tristura se lê

 

E pergunto em fim ao duro lamento:

- se ainda terei na vida penar diverso

Pra que sofrer, e o pranto... Pra quê?

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

Outubro,17/2020 – Triângulo Mineiro

 

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https://youtu.be/4J39bBUhMk8

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

FAMINTO

Vai, mísero sofrimento esfaimado

pastar noutra sensação livremente

deixai meu coração de te ausente

faminto, carente, mas imaculado

 

Não percas tempo, vá apressado

pois se insiste em estar presente

a paixão do teu olhar pendente

despojo inútil, inútil o passado

 

Deixai o vento levar, que o leve

hei de me arrancar do teu nome

e, assim, de ti isento, serei breve

 

Aqui, piedoso a dor me consome

nos soluços que o choro descreve

e sem que ventura emoção tome

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

16/10/2020, 16’10” – Triângulo Mineiro

 

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https://youtu.be/FkbDHm1ZfTU

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

GORJETA

Eu sou aquele que no amor é perdido

eu sou o que no fado me falta aporte

sou esse da desdita, e nesta tal sorte

sou a contramão, a solidão desmedida

 

A sombra no meio fio da cara vida

e que no devaneio perdeu o norte

que fica no vagar num choro forte

rascunhando a chaga tão dolorida

 

Sou aquele que no silêncio habita

Sou pôr do sol sumido, desprovido

Sou aquele que na ilusão orbita

 

Sou talvez o ideal de alguma dita

Quiçá a que o rumo me é devido

Quem sabe uma gorjeta merecida

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

15/10/2020, 16’19” – Triângulo Mineiro

 

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https://youtu.be/OWzUmyXp5dc

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

PARALELO

Incultos sentimentos ditos pela metade

manifesto a vossa fiel leitura, ó leitores

e em cada trova a vossos olhos, piedade

lhes digo apenas piedade, não louvores

 

E neste orgulho, este que é inanidade

os suspiros, lamúrias e minhas dores

lágrimas de amores e sua imensidade

suportando por uns míseros favores

 

Se entre minha sorte de nascimento

encontrardes traços cujo o engano

indique que divaguei com portento

 

Crede, ledores, que foi do profano

versado com a mão do fingimento

em um paralelo ao o acaso insano

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

Outubro, 14/2020, 16’54” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, Canal no YouTube:

https://youtu.be/heN9lIU7e_w


AO LONGO DA PROSA UMA TRISTE POESIA

Ao longo da prosa uma triste poesia

Já quando o entardecer deslustrava

no silêncio que o dia, assim, estava

e o cerrado baforando melancolia


A solidão pelo horizonte estendia

um rubro vago no céu caminhava

entre os suspiros e choro exalava 

saudades que a lembrança dizia


E na rudeza que o sentido fingia

a sofreguidão num só tormento

levai, ligeiro vento, está agonia


Oh se podeis ter dó do lamento

meu, vos imploro, nessa avaria

levai, levai do meu sentimento!


© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

Outubro, 14 de 2020 – Triângulo Mineiro


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Vídeo, Canal no YouTube:

https://youtu.be/i0sHrQ9eEGs


terça-feira, 13 de outubro de 2020

Ó SAUDADE QUE PASSAIS

Ó saudade que passais, ao sol poente

Pela estrada da lembrança, a suspirar

E na solidão vais em uma vertente

Sugerindo o aperto pra nos sufocar

 

Deixai-me, aqui, assim, indiferente

O sol que tomba, notando o pesar

O mesmo que já declinou contente:

- na graça, no vinho, no alvo luar...

 

Deixai! Deixai ir com as cantigas

Do entardecer, as dores sem fim

E contigo todas as ilusões antigas

 

Que eu quero dormir no descanso

Com anso, calmo e que nada digas

Adormecer num voo leve e manso

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

13/10/2020, 18’00” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, Canal no YouTube:

https://youtu.be/xmNfCpM_iOg

POÉTICA

A poesia na rica imaginação voa

lançando à terra de um criador

no encanto de encanto povoa

o ilusório de quem é um ledor

 

No escrito a doce prosa entoa

o coro de fantasias ao dispor

é a ilusão que a poética doa

ao poeta que vive sonhador

 

Por ti, devaneio, tudo é certo

do cascalho grosseiro ao rubi

se o amor, ali, está por perto!

 

Por ti, inspiração: - se senti

no prazer, num leve aperto

eclodido num grato frenesi

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

13, outubro, 2020, 13’13” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, Canal no YouTube:

https://youtu.be/sJJKDg42FKQ

TEIMA II

Retratar o amor em vão procura

quem na vida dele sentir não teve

porque um rasto na alma obteve

pois, longo ou breve, há ternura

 

Todavia eu, ideando, na ventura

a mínima sorte o destino deteve

sentir o que sinto, nunca leve

no vazio, minha solidão figura

 

E nestas paixões de boas alianças

poética redigiu só sofrido pesar

e uma, foi, dentre as lembranças

 

E, porém, neste suspiroso causar

do único, nas turronas esperanças

vou amador que cobiça mais amar!

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

13, outubro, 2020 – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, Canal no YouTube:

https://youtu.be/XMa2zB9h8Pg

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

PÔS-SE O SOL

Pôs-se o sol... onde a noite tece a teia

Da treva. E pouco a pouco aí desmaia

A última luz do dia, então, assim caia

Da escuridão que a pretidão incendeia

 

No horizonte estrelas no céu semeia

Pela janela a sombra deita na alfaia

O mirar no remoto lúrido cambaia

E a escureza do cerrado encadeia

 

Com o olhar na lua, rogo levanto

E, cheio de maculada melancolia

Anoitece, e não prendo o pranto:

 

Choro de encanto e tal a alegria

De tão ligeira cena e sem tanto

Em gratidão, por mais um dia!

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

12 de outubro, 2020 – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, no Canal do YouTube:

https://youtu.be/1lBMMZ44gFk

TRAGÉDIA

É a tragédia, bardo, desta vida

neblina que na manhã embaça

solidão com desleixo sem graça

que na agonia sem dó é erguida

 

É gemido que na dor favorecida

por tristuras n’alma em carcaça

um choro, um sonho de fumaça

sulca ufana, e devora destemida

 

É reza, enfim, que na pobreza

da fé, numa carência generosa

olha aos céus com certa frieza

 

Mas ter desilusão, tão gulosa

na alegria, é prosa sem defesa

ao fado traz frustação furiosa

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

12/ outubro, 2020 – Triângulo Mineiro

 

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Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol...

 

Vídeo, Canal no YouTube:

https://youtu.be/EqgjkhJQilM

Antúrio


Se belo, o teu belo á alguns é espúrio
no murmúrio da vaidade de um olhar
és tu, variada cor, ó flor do antúrio.
No vermelho da paixão a celebrar
é natureza em esplendor purpúreo
flor do antúrio como não poetar!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
outubro de 2020 – Triângulo Mineiro

Protegido por Lei de Direitos Autorais (9.610/98) 
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Canal do YouTube:
https://youtu.be/PIPgdIjKMtk


domingo, 11 de outubro de 2020

ACUSTICA

O prazer rindo está, está na medida

Do bom matiz, pintado em mil cores

louvam tarde e manhã os amores

em exímia proporção, feito da vida

 

O dantes, já na sua eleita despedia

e fica na alma o perfume das flores

e no coração o desejo, com valores

numa sensação de ventura incontida

 

O sentimento que no eu pode tanto

a graça, que pela paixão então arde

lhe tornando leve no haver amador

 

E, o olhar com afeto nunca é tarde

Emanando paz e bem, afável canto

Pois, tudo falta a quem falta amor.

 

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado

11/10/2020, 05’55” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo, canal de YouTube:

https://youtu.be/LpAHlNIzlTs

sábado, 10 de outubro de 2020

TORNAR

Agigantado cerrado, quão alterado

te vejo e vi, e ainda assim, resiste

te vejo a ti, em um suspirar triste

e tu no rogo suplicante e calado

 

A ti foi-te na quentura devastado

teu chão sugado, no penhor caíste

a mim o olhar aflito em que consiste

os teus dias, sufocado e tão mirrado

 

Já que somos no azar participantes

sejamo-los na mansidão, na espera

do suave, e tuas relvas verdejantes

 

Que venha a revirada da atmosfera

aí, tu será a ser quem eras dantes

e eu, quiçá serei quem dantes era.

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

10/10/2020, 19’53” – Triângulo Mineiro

paráfrase Francisco Rodrigues Lobo

 

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Vídeo, canal de YouTube:

https://youtu.be/mwxPLyUGYx8