sábado, 21 de novembro de 2020

TURRA

Que desmedidas saudades se formaram

Sob os olhos da lembrança. Imensa hora!

Em que o silêncio surgiu! Funesta aurora!

Que amargas lágrimas na face escoaram

 

Falta, que o peito rasgado, amortalharam

Que aflitivos suspiram, e a saída implora

Chora, e das tétricas angustias brotaram

Pra abraçar a sofreguidão que vive agora

 

Depois uma sensação em treva chorando

E o passado em sombras, que não partiu

Morre, nasce, seca, flora. Flagelo infando!

 

Até quando o sentir no que já separou

És emoção que o flagelo empederniu

Ou turra viva do amor que não acabou?

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

21/11/2020, 15’15” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/6Y5FhyaiRDg

 

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

PRESENÇA

Quando os olhos arremesso no outrora

De quanto amei me acho privilegiado

Vejo que tudo foi agrado no passado

Que toda a prova uma cortês aurora

 

Sempre na mais pura sentimental hora

Tudo que dadivava, mais apaixonado

Dor, choro, lamento, deixava de lado

Asilando, então, na caixa de pandora

 

Os castelos aprumados, o firmamento

Na sensação mais bela e alta os erguia

E, assim, os via tão cheios de portento

 

Que carinhoso ganho faz a companhia

Pois, tudo é tão maior, maior o contento

Triste a hipocrisia, que faz a alma vazia!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

19/11/2020, 19’43” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/bmLdhlFY-cQ

AMOR VENTUROSO

Elevai, amor meu, pois que a ventura

Já vos tem no sentimento elevado

Que a boa sensação de que é gerado

O mais poético haver vos assegura

 

Se desejar por amor na sua candura

Não vos espante ter sonho sonhado

Porque é do bem todo este cuidado

E da emoção, a cortesia mais pura

 

Celebre, amor, a todo o momento

O coração bate acelerado, airoso

Na devaneada paixão o portento

 

 É merecimento, e mais saboroso

Porque se o amor for o real intento

De amor se tem o amor venturoso

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

19/11/2020, 07’39” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/0v4_g3Iflgg

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

AMOR REBUÇADO

Vai, paixão gentil, vai, amor suspirado

Doce prenda de sensação prazenteira

Vai, que és a caricia terna e fagueira

E, que há de por ti estar enamorado

 

Trova o que te agrada, ritual sagrado

Do afeto, rimando o teu doce cheiro

Tal qual a poética do amor primeiro

Assim, deixe o versar ficar rebuçado

 

Diz-lhe que, a saudade, é constante

Me queima o desejo de felicidade

E, tudo mais, é apenas um instante

 

E, para ter-te ao meu lado, piedade

Fado, ande logo, o amar é gigante

Qual de nós dois querer não há-de?

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

18/11/2020, 12’21” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/RNEP2nd6x4U

RÉUNION

Alegre momento amoroso, amor reluzente

ão festivos, satisfaze o agrado desejado

intenso entusiasmo, ventura no cerrado

renascida, és uma sensação tão contente

 

Vejo que entre esse prado, livremente

festo celebra a sorte do afeto imaculado

este, que vem com todo o seu cuidado

delicado, e murmura a firmeza presente

 

E, já que está evidente, sem demora

vai pelo sertão anunciar o doce laço

este, que é o bem que eu tanto adoro

 

E então, ter na carícia poética aurora

em um bater de asas num compasso

do prazer, estrugindo suspiro sonoro

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

18/11/2020, 09’15” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/CzFY-xN_CAc

terça-feira, 17 de novembro de 2020

AMOR COM AMOR

Amor que tanto amei, amor que sofre tanto

Saudade no sentir, sentir de suspiro amoroso

A quem lacrimejas, a quem? O pranto choroso!

Um cheiro extraviado? Um perdido encanto?

 

Ó herege ilusão, que o fado toma de espanto

Cobiçais a sofrência e dor no que já foi gozo?

Deixando a solidão em um delirar tenebroso

Onde o haver tornou-se um algum portanto

 

Amor, seja qual for este tal juízo profundo

Das pérolas do desengano, pesado rosário

Pois, tudo passa, e tudo passa no segundo

 

Então, erguei a alma num doce santuário

De emoção, na aurora do sonhado mundo

Fruir amor com amor no ditoso itinerário

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

17/11/2020, 09’44” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/Y4TrBPrxB2s

sábado, 14 de novembro de 2020

EX AMOR

Foi-se-nos pouco a pouco esmorecendo

os suspiros que na sensação sussurrava

olhos fitos na qual o sentimento falava

que no então, não mais estava cabendo

 

Os degraus do desejo, fomos descendo

e a admiração já a luz de tudo anuviava

baços, apenas a dissonância despontava

logo no acaso o rascunho ia perdendo

 

Alma gêmea da minha, na sede figura

como o saciar que para a alma saciou

ou foi talvez, a ilusão, que pouco dura

 

Nada sei, muito sinto, o que me restou

um dia e outro dia na árida desventura

se chorei, porém, o enrabichado calou.

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

14/11/2020, 11’08” – Araguari, MG

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/9Uo9YFmf6UM

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

CANTAR O CERRADO

É cascalhado e sinuoso, mas todavia

de um encanto lotado de um alento

no seu sulcado chão tão macilento

poema se lê com rimas de teimosia

 

E uma vez que na extensa pradaria

ao admirar o horizonte pardacento

hora se faz dia e o dia o momento

nascendo o diverso em desarmonia

 

A velha terra, de poesia e liberdade

com tal melancolia e uma saudade

que encharca a sequidão de sabor

 

Então, ao encontra-lo, assuste não

Logo terá acordo e muita emoção

Pois, o cerrado passa além do amor...

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

11/11/2020, 08’47” – Araguari, MG

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/Q7P1NS4sJRg


terça-feira, 10 de novembro de 2020

ENTARDECER EM NOVEMBRO

Solta a sombra do negrume na tarde formosa

Vai galgando o escuro da noite de primavera

Montado na campina contornada de quimera

O novembro, corta o céu, na fresca carinhosa

 

Baixa o sol no vale, e o horizonte o espera

Calmamente, surge a estrelada tão radiosa

Com seu manto de uma couraça escamosa

Numa poética de sonho e de beleza sincera

 

Na imensidão do planalto suspira o infinito

A noturna acorda sob a escuridão ardente

Desperta a lua entre as nuvens no seu rito

 

E a noite em caminhada, no breu persiste

Tingindo o sertão num abaçanado poente

Do pousar do cerrado, melancólico e triste!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

10/11/2020, 20’23” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/_-twrL1yljA

ORÁCULO

Horas breves da ventura em portento

E tão vazias no empenhar se as tinha

Que na ilusão se demoliu tão asinha

Atando acaso ao rumoroso tormento

 

Aqueles anseios que fundei ao vento

Que a sorte levou, que mas sustinha

Do incoerente que restou, é minha

Causa, pois, não predispus provento

 

Juízo, que bom se prudência tivesse

Tudo é possível, e não só brandura

Aparece e logo adiante desaparece

 

Ó oráculo pesado, ó acre amargura

Serventia sem valia, e sem benesse

Tudo é fugaz, voraz, e pouco dura!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

10/11/2020, 07’24” – Triângulo Mineiro

paráfrase Diogo Bernardes

 

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https://youtu.be/bQ2Dy-3cKas

domingo, 8 de novembro de 2020

EM SUMA

Assim como vos vejo na saudade

distante, devoluto, assim me veja

despido de tudo, e assim esteja

sem haver em nós mais vontade

 

Que, pois eu fui o que na verdade

espirou nu na solidão, e nu seja

qualquer sentimento de peleja

pois, não se agrada pela metade

 

Quiseste vós, e assim, ter partido

sendo vós o amor meu, eu vosso

o devanear que me faz esquecer

 

Que, pois por vós tenho padecido

e último trovar esse de vós, posso

crer... O adeus a vós, é mais viver!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

08/11/2020, 14’24” – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/yCHc0gep5jg


TORMENTO

Em enturvados cruéis, tal a dor

Num ritmo triste, que não alivia

Chamar a inspiração da poesia

Fria: - é qualquer ode de amor

 

E ver o choro do penar que for

Ali presente, na rima. Se fazia

Em um vagar d’alma cativa, ia

Crendo neste causar pecador

  

A quem não fará crer a culpa?

De tais os versos no tormento

Bem sei, minha, sem desculpa!

 

Pois, até lástima na poética tem

E vem o versar meu, sem alento

Com suspiros na prosa também.

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

08/11/2020 – Triângulo Mineiro

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/A5KSCpCmO34

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

AMOR FARTO

Portentoso amor doce, amor formoso

Que meus desejos são desejos celestes

No meu peito o amor do amor viestes

Num olhar vivo de um haver amoroso

 

Amor tão sereno, amor tão venturoso

Que faz jus de tais prazeres te destes

Do tal sentimento o amor rendestes

Essa paixão, esse bom fruto saboroso

 

Que siga eu por vos ter, e vos traga

No meu pensamento tão contente

Onde ordena amor e o amor acena

 

Mas, que nunca tenha de vós pena

Pois, o amor com o amor se paga

E nos ricos gestos é que se sente!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

06/11/2020, 21’29” – Araguari, MG

 

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Vídeo no canal do YouTube:

 https://youtu.be/gQTatjPwQ2s

O CERRADO É GRANDE

O cerrado é grande, de uma tal imensidão

O teu tempo, e uma lentidão e melancolia

Que a tua calma no silêncio acordar-me-ia

Da preguiça não, mas da sua orquestração

 

Atração mudável, todo selado. Ó sertão!

É tal vibração que em vós se tem melodia

Tingindo a vida, de um dia pós outro dia

Incertos todos, mas repletos de atração...

 

Eu vi por aqui, ipês e outras mais flores

Pequi, jatobás, a ventura e desventura

Os tucanos vi desenhar os fiéis amores

 

Sequidão, e verdura, tudo é mistura

Pintando o chão com variadas cores

Em um tudo mais, o renovo, fartura!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

06/11/2020, 09’02” – Araguari, MG

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/sYPiCJDwrac

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

SONNET

Minha poesia tem seu segredo, o seu mistério

Um amor perdido, eterno, na alma concebido

Que o mantem quieto, e na sensação dividido

Um querer impossível, tão cheio de critério

 

Ai de mim! Nas trovas passei despercebido

Solitário ao seu lado, de uma sorte estéril

Indigerível e uma versificação no cautério

Sem pedir nada, sem nada, e tão bandido

 

Sentimento... aqui no peito doce e terno

Que segue o seu caminho, sem me ouvir

Num murmúrio árido e frio tal o inverno

 

E, o poema piedosamente fiel, no sentir

Tal rama em flores e espinho no verno

Verseja o amor e a tristura sem desistir

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

05/11/2020, 19’30” – Araguari, MG

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/mMKt85gPdlw

HORAS DE SAUDADE

Vou de avivo no repouso, descontente

E travas lágrimas nos olhos a prantear

Ah! quanta avarenta emoção a suspirar

Ah! quanto silêncio no sertão poente

 

A hora no horizonte é vagar cadente

Um adeus, sem acabar e a se quebrar

Um vazio apertando a alma no pesar

E uma solidão que fala com a gente

 

A escuridão, e um nó na garganta

Um feitiço que no amargor canta

Cravando a sensação pela metade

 

Tristura, e uma trova sem medida

Querendo versar, e na dor sentida

Redigem as horas duma saudade!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

05/11/2020, 12’07” – Araguari, MG

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/ltdVikm5XE4

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

PARIÇÃO DUM SONETO

Como um vaso de cristal, vazio e de aporte

Ideias vem, pois bem, tal lampejo em rama

Se arranja, desarranja num sublime porte

Inspirando formas, que da alma derrama

 

É uma sensação num sentimento forte

Enredando entre os dedos, e ali clama

Poética obra, cheias de encantada sorte

Dum verso em rima que a estima chama

 

E entre clarões dispersos, assim, venha

O que vibre, que enlouqueça o secreto

Em um rebento da imaginação prenha

 

E, no somo apogeu do destinto alfabeto

Da quimera, passa a ter ideada ordenha

Dos devaneios, para se parir um soneto

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

04/11/2020, 18’42” - Araguari, MG

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/7MkLw7A5KtM

terça-feira, 3 de novembro de 2020

O TREM DA PAIXÃO

Lá vai o trem agitando o coração

Num baticum, cheio de surpresa

Pelo chão incomum duma paixão

Sustentando a luz da ilusão acesa


Lá vai o trem da sede e emoção

Pelo planalto da acre incerteza

Beijo e sensação, mão na mão

Olhar e razão: - total gentileza!


Lá vai o trem nos trilhos da avidez

Entre os suspiros, o suspiro meu

Em movimento de nunca o talvez


Magno trem e no bem o apogeu

Comboio de ardor, numa validez

Carreando amor, que o amor creu!


© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

03/11/2020, 10’20” - Araguari, MG


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https://youtu.be/Q5_tS85bKN0


segunda-feira, 2 de novembro de 2020

poema de finados

hoje é dia de finados

de estar no cemitério

de pesares anexados

e de um olhar etéreo

 

hoje é dia de finados

de tributo, de oração

de prantos sufocados

apertura no coração

 

hoje é dia de finados

da tristura que brade

dos viveres passados

hoje é dia de saudade...

 

... é dia de finados!

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

02/11/2020, Araguari, MG

Finados

 

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Vídeo no canal do YouTube:

https://youtu.be/XvwQXYZc7yM

Ultimar

E quando chegar a hora da partida, o choro deve ser de despedida. De um até breve. Num ato de fé, leve.   Pois entre a vida é a morte tem que existir a convivência com o amor, e a sorte de poder dizer nas lembranças que este foi o maior valor... E que está levando na bagagem a honestidade e a solidariedade. Só assim ficará a saudade. Pois Jesus Cristo veio e nos transformou. Nos resta seguir seu ensinamento, para que possamos suplantar o sofrimento... A única verdade o único caminho. O bem maior... Nossas vestes de linho. © Luciano Spagnol - poeta do cerrado 02/11/2015, Cerrado goiano Finados

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